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Certificados imobiliários disparam e somam R$ 4,6 bi

DCI, Eduardo Puccioni, 26/jun

A demanda aquecida no setor imobiliário, com um grande aumento nos lançamentos de empreendimento e com uma baixa taxa de juros, está fazendo com que cresça a emissão de Certificados Recebíveis Imobiliários (CRI). Ao final do ano passado, o estoque registrado na Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) era de R$ 2,281 bilhões. Até ontem, esse volume chegou a R$ 4,601 bilhões. A aplicação mínima em CRI é de R$ 300 mil.

Segundo Fernando Cruz, diretor da Brazilian Securities, empresas especializada em lançamentos desse tipo de papel, em outros países como Chile e Argentina, este tipo de negociação corresponde a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). No México chega a ficar acima de 50% e no Brasil corresponde a apenas 5% do PIB. "Nosso mercado ainda é pequeno, mas tende a crescer. Desde 2004, o volume vem quase dobrando a cada ano", diz ele.

Cruz lembra ainda que este fundo é voltado para investidores qualificados. Já existem, porém, algumas formas de aplicar com um menor valor. Segundo ele, o CRI se torna um bom investimento para pessoa física, por ser de longo prazo, de rende fixa e é atrelado ao Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e, ainda, isento de Imposto de Renda (IR).

O CRI é uma operação securitizável, ou seja, tem por objetivo segregar recebíveis imobiliários (aluguéis ou financiamentos) de uma determinada empresa ou grupo. Fazendo isso, é possível segregar o risco final e oferecer garantias ao investidor.

Para o professor de Finanças do Ibmec São Paulo, Ricardo Almeida, este tipo de captação é muito bom para as construtoras. "É uma forma saudável de captar dinheiro, este é um título que está em crescimento devido ao grande número de lançamentos alcançados até agora. O CRI ainda traz uma maior garantia à construtora", diz ele.

O professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, também acredita que este é uma boa maneira de captar recursos. "Este é um setor que está se abrindo no País, que vem se consolidando, e a emissão de CRI é mais barata para a construtora do que o financiamento, por isso ela se torna uma melhor opção", diz o professor.

Segundo Almeida, o volume que está sendo negociado na Cetip ainda é pequeno em relação ao grande número de empreendimentos imobiliários que estão sendo lançados. "Acho que o volume de negócios deve aumentar bastante nos próximos anos. Neste primeiro semestre já é possível ver que temos uma grande quantidade de lançamentos. Algumas modalidades de fundo de investimento já possuem CRI na carteira", acrescenta. Almeida lembra que o título é mais interessante para as construtoras do que a emissão de debêntures, pela menor taxa de remuneração.

"O volume em negociações de CRI ainda vai crescer muito, esta é uma operação nova no mercado brasileiro começou em 1997, por isso não atrai o número esperado de investidores. Há bastante capital que não é alocado no setor imobiliário, e, com o crescimento do setor, passará a aumentar a cada ano", afirma Almeida.

Os bancos são esperados para entrar no mercado de securitização. Mas ainda existem poucas operações de CRI no mercado, pelo fato de esses papéis serem indexados à Taxa Referencial (TR) e não aos índices de inflação. A TR fechou o ano passado com um índice de 1,4% em todo o ano, e serve também como indexador da poupança. Atualmente, para atrair mais investidores, as securitizadoras já usam índices de inflação como indexadores da operação com esse tipo de papel.


Alcides Leite não acredita que os bancos devam entrar no mercado de CRI. "Acho que não é interessante para os bancos. As instituições financeiras vão continuar intermediando as negociações, como coordenadores de lançamentos feitos por construtoras, e não devem fazer parte dos negócios diretamente", afirma ele.


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