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Construtoras correm para garantir os insumosDCI, Cynara Escobar, 14/abr As construtoras, abarrotadas de novos lançamentos, estão antecipando a compra de insumos e a contratação de frete com até três anos de antecedência. O aquecimento do mercado visto nos últimos dois anos tem forçado empresas como Rodobens, Bueno Netto, EzTec, Método Engenharia e Tecnisa a correr atrás de seus fornecedores para garantir os materiais necessários no início das obras. A média de antecedência até o ano passado era de nove meses e já chega, atualmente, a um ano. Ou seja, as construtoras estão contratando, hoje, fornecimento e frete para obras que só começarão em abril de 2009. Para driblar as constantes altas no preço do cimento e do aço, principais responsáveis pela crescente do Índice Nacional da Construção Civil, a área técnica da Rodobens Negócios Imobiliários já está antecipando as compras deste item em seu cronograma, prática que virou rotina no planejamento de obras da companhia. Neste caso, a compra imediata foi motivada por uma elevação pontual, porque, em geral, a empresa está ampliando de nove para doze meses o período de reserva de insumos como cimento, aço e louças. "Estamos adequando a nossa programação de lançamentos e execução de obras sem entrar em uma velocidade que gere a falta de insumos. Pressionamos o fornecedor para garantir a demanda, mas trabalhamos com possibilidade de oferta", diz Geraldo Antonio Cêsta, diretor técnico da empresa. Segundo Cêsta, com esta estratégia a companhia consegue garantir o preço e programar os seus gastos. As compras são atualizadas mês a mês e a entrega e os pagamentos também são programados a médio e a longo prazo. "Só fechamos a compra com a garantia do transporte dos insumos e, quando isso não é possível, fechamos com as transportadoras", afirma, ressaltando que é preciso investir em planejamento. Mercado As elevações de custo pontuais, no entanto, como a estimada para o aço em maio e também a do cimento, que nos últimos 12 meses registrou alta de 25,88% - considerada a maior variação nominal entre os insumos comprados pelas construtoras no Estado de São Paulo, segundo a FGV Projetos -, têm sido preocupação constante das construtoras. Estas altas estão bem acima dos índices que medem os custos do setor, como o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que cresceu 1,72% no primeiro trimestre do ano e 6,52% nos últimos 12 meses. No último mês, o índice subiu 0,84% e fechou o mês em R$ 616,10 por metro quadrado. "Os derivados de cimento, como blocos e concreto usinado, subiram muito, o que desencadeia uma série de aumentos no meio de uma obra", alerta Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon). Por esta razão, a construtora paulista Bueno Netto está investindo na antecipação destes itens e os reserva um ano antes. "Esta estratégia tem sido adotada nos pontos principais da curva, como aço, blocos, concreto. Com isso, esperamos não ficar sujeitos à contratação por demanda. Se os fornecedores tiverem uma demanda garantida, eles terão condição, conseguirão se planejar", aposta Luiz Carlos Martins, diretor de Engenharia da empresa. Na EzTec, que no final do ano passado adquiriu uma consultoria para refinar o seu planejamento, a antecipação para garantir que os fornecedores entreguem os insumos chega a três anos. Neste período, a empresa estima crescer em até três vezes. "Este acordo dá uma garantia de demanda aos fornecedores e, para nós, há uma garantia de preço diferenciado na época e impede reajustes imprevisíveis", garante Marcelo Zarzur, diretor técnico da EZ Tec. A Tecnisa também tem apostado nos contratos de longo prazo, reduzindo fornecedores para ter exclusividade. "O objetivo é garantir a compra por um preço indexado por algum indexador econômico, como o IGPM, por exemplo", disse Romeu Busarello, diretor de Marketing da Tecnisa. Mão-de-obra A alta demanda do setor também tem gerado reflexos na disponibilidade e, em decorrência desta, nos custos da mão-de-obra qualificada. Para solucionar o problema, a construtora Bueno Netto está mudando seu perfil e deixou de terceirizar para contratar os funcionários diretamente. "Com isso, esperamos reduzir a demanda por cargos como o de marceneiro, por exemplo, além de reter projetistas e engenheiros, que estão muito disputados pelo mercado", aponta Martins. A Método Engenharia, que já adota esta estratégia há mais de 30 anos, afirma não ver outra saída. "Esse movimento vai favorecer a industrialização da construção e aumentará a produtividade", acredita Hugo Marques da Rosa, presidente da empresa.
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