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Mão-de-obra escassa afeta construção civil

Jornal do Commercio, Márcia de Chiara, 09/abr

Cerca de R$ 7 milhões serão investidos em apenas nove meses no treinamento de trabalhadores da construção civil no Estado de São Paulo para atenuar os efeitos da escassez de mão-de-obra qualificada que já afeta o setor. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do conselho do Sesi e Senai, Paulo Skaf, durante a abertura da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon), em São Paulo.

O evento, que vai até sábado e reúne neste ano 680 expositores, ocorre na melhor fase do setor dos últimos anos. As duas entidades fizeram um estudo sobre a evolução do emprego na construção civil e detectaram que, entre 2003 e dezembro de 2007, o número de postos de trabalho no setor cresceu 50%.

gargalos.Para desobstruir os prováveis gargalos de falta de mão-de-obra qualificada, os recursos serão aplicados em cursos na formação de pedreiros, eletricistas e carpinteiros, entre outras ocupações do setor, entre junho deste ano e fevereiro de 2009. Trata-se da maior cifra já gasta pela entidade em qualificação de mão-de-obra nos últimos cinco anos.

"O nosso gargalo hoje é a mão-de-obra", afirmou o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz, que projeta para este ano crescimento de 10% nas vendas de materiais de construção em relação a 2007.

Ele destacou que uma das tendências da indústrias participantes da Feicon deste ano é a produção de materiais de construção, máquinas e ferramentas que aumentem ampliem a eficiência na produção de novos imóveis.

EMPRESAS. A Bosch, por exemplo, que fabrica ferramentas elétricas, registrou nos últimos 12 meses crescimento superior a 60% nas vendas de ferramentas e acessórios para construção civil. De olho no mercado das construtoras e profissionais autônomos que querem ganhos de eficiência no serviço, a empresa aumentou a linha de martelos rompedores usados na demolição.

"Com esse equipamento, a demolição acaba sendo 20 vezes mais rápida do que o trabalho executado com um martelo convencional e uma talhadeira", disse o vice-presidente de Ferramentas Elétricas para América Latina, Leon Kaiser. Ele frisou que a produtividade é fundamental, especialmente neste momento em que o setor passa por um boom de vendas.

A Lukscolor, fabricante de tintas, confirma a tendência da indústria de materiais e das construtoras de apostarem em ganhos de produtividade para erguerem mais rapidamente os edifícios. "As vendas de esmalte à base de água cresceram no último ano o dobro da taxa registrada pelo produto tradicional", contou a diretora da empresa, Maria Cristina Potomati Fiuza.

O motivo da maior procura apontado pela empresária é a rapidez na secagem. Enquanto a secagem de uma demão demora de 6 e 8 horas no esmalte tradicional, o tempo gasto na secagem do produto à base de água oscila entre 2 e 4 horas.

A Henkel é outra que decidiu apostar na eficiência. A empresa acaba de relançar uma cola para adicionar ao cimento que reduz em 30% o tempo de secagem.


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