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Máxima Asset decide entrar no ramo imobiliárioValor, Chico Santos, 09/abr A Máxima Asset, empresa de gestão de recursos do Banco Máxima, que já possuía 15% do capital da João Fortes Engenharia, decidiu entrar definitivamente no mercado imobiliário, seguindo uma tendência cada vez mais forte das empresas do setor financeiro desde que se configurou, há pouco mais de dois anos, o atual "boom" da construção de imóveis no Brasil. A Máxima acaba de contratar, com a empresa fluminense Promoterra, a gestão para desenvolvimento urbano e imobiliário de uma área descontínua de 30 milhões de metros quadrados entre os municípios de Niterói e Araruama. Segundo Paulo Henrique Fabbriani, presidente da Máxima Asset, a área corresponde a duas vezes e meia a área total da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A um valor de R$ 2 mil por metro quadrado, que ele considera abaixo da média estadual, Fabbriani diz que a área total representa um ativo de R$ 60 bilhões. A intenção é desenvolver na área, ocupada hoje, na sua maior parte, por centros urbanos de classe média, média baixa e baixa, um conceito urbanístico semelhante ao da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. "A configuração geográfica é bem semelhante à da Barra, só que do outro lado da baía de Guanabara", explica. Segundo Fabbriani, o primeiro lançamento da Máxima como gestora imobiliária deverá ocorrer no segundo semestre e será um shopping center na localidade de Inoã, distrito de Maricá, à margem da rodovia RJ-106 que foi duplicada nos últimos anos. O executivo diz que o projeto da gestora é transformar os municípios que compõem a área (parte de Niterói, Maricá, Saquarema e Araruama) de cidades-dormitórios da capital em núcleos urbanos com vida própria, inclusive empregos de alto nível. O projeto será em grande parte favorecido pela construção na cidade de Itaboraí, na parte interior da área visada, do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um gigantesco projeto industrial orçado em US$ 8,5 bilhões, liderado pela Petrobras. As obras de terraplanagem da área do Comperj começaram no final do mês passado. Outras grandes empresas já tradicionais no setor imobiliário, como a Brascan, estão também preparando lançamentos para a região de Maricá. De acordo com Fabbriani, a primeira etapa da atuação da Máxima no setor imobiliário será a de preparar a área para atrair as construtoras, incorporadoras e imobiliárias, as demais empresas que compõem o espectro do setor. "Mas pretendemos, com o tempo, atuar em todos os segmentos", ressalta. Hoje, a Máxima Asset administra cinco fundos, com um patrimônio total de R$ 188 milhões. A própria contratação de Fabbriani simboliza a intenção da empresa de colocar o setor imobiliário entre suas prioridades maiores. O executivo era vice-presidente da Carvalho Hosken, uma das mais conhecidas construtoras do mercado carioca, e é vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ). Além da gestão do terreno da Promoterra, a Máxima já contratou também participar da gestão da construtora Cymbal, com 28 anos no mercado do Rio, com o objetivo de preparar a empresa para "o novo momento" do setor imobiliário. Fabbriani considera que o processo de consolidação do setor que vem sendo preconizado por vários especialistas é inevitável. Segundo ele, com as empresas capitalizadas por mais de duas dezenas de captações primárias no mercado de ações, é possível que haja, um pouco mais à frente, um hiato entre o grande volume de oferta de novos empreendimentos por parte dessas empresas capitalizadas e a demanda de um mercado cuja renda e o próprio crédito ainda não crescem na mesma velocidade. "Daí a consolidação, para não termos 50 empresas brigando pelo mesmo cliente e jogando os preços para baixo", conclui.
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