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Lucro da Tecnisa vai a R$ 84 milhões

Jornal do Commercio, Andréa Cordioli, 24/mar

A Tecnisa, uma das maiores incorporadoras residenciais do País, registrou lucro líquido ajustado de R$ 84 milhões no ano passado, ante R$ 36 milhões do ano anterior. O resultado desconsidera os gastos com a abertura de capital, ocorrida em fevereiro de 2006, e com o embargo na obra do empreendimento Grand Maia, localizado em Guarulhos, a pedido do Ministério Público. Considerando esses efeitos, o lucro líquido da Tecnisa foi de R$ 32,5 milhões em 2007.

A empresa lançou 22 empreendimentos no ano passado, com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,011 bilhão, valor 255% superior a 2006. Excluíndo o VGV de R$ 133 milhões do Grand Maia, a alta foi de 208%. Dos lançamentos, 54% foram na cidade de São Paulo, 43% no Estado de São Paulo e 3% em outros Estados. Segundo o presidente do Conselho de Administração da Tecnisa, Meyer Joseph Nigri, o processo de diversificação regional vai se intensificar em 2008.

Por segmento de renda, a Tecnisa colocou 84% dos seus lançamentos no ano passado para a classe média. Outros 9% foram para o público de alta renda e 7%, empreendimentos comerciais. O valor médio das unidades caiu de R$ 450 mil, em 2006, para R$ 363 mil no ano passado. Para o diretor financeiro e de relações com investidores da Tecnisa, Leonardo Paranaguá, o valor médio das unidades neste ano deve ficar abaixo ou próximo de R$ 300 mil.

As vendas contratadas da Tecnisa alcançaram R$ 560 milhões no ano passado, com alta de 86% sobre 2006. Sem os R$ 87 milhões do Grand Maia, a alta foi de 57%. Das vendas contratadas, R$ 327 milhões foram feitas internamente por 123 corretores. A intenção de Nigri é elevar o quadro para 180 corretores até dezembro. Segundo ele, as vendas pela internet representaram 25% do total e as vendas por indicação de clientes responderam por mais 25%, o que reduziu os gastos com publicidade da companhia.

A receita líquida da incorporadora foi de R$ 338 milhões no ano passado, sem o empreendimento Grand Maia, e de R$ 356 milhões, com o Grand Maia. Em 2006, a receita líquida da Tecnisa foi de R$ 203 milhões. "Em 2008, esperamos aumento substancial das receitas, bem como redução das despesas administrativas", disse Paranaguá.

EBTIDA. Com isso, a margem Ebitda da empresa caiu de 23%, em 2006, para 19% no ano passado. Desconsiderando os efeitos da abertura de capital, a margem Ebitda seria de 22%."Também esperamos recuperação da margem Ebitda neste ano", disse. A Tecnisa fechou 2007 com 41% de margem bruta a apropriar, ante 37% de 2006.

De acordo com Paranaguá, a Tecnisa tem condição "confortável" de liquidez para crescer nesse ano, uma vez que conta com R$ 50 milhões em caixa, com R$ 52 milhões da venda de 20% do Projeto Nicolas Boer e com R$ 40 milhões a receber pela saída do empreendimento Golf Village, além de três acordos financeiros que totalizam R$ 2,7 bilhões. Esses acordos são com o Banco Santander, com a Brazilian Mortgage e com a Caixa Econômica Federal.

"A empresa cresceu muito e ultrapassou o quadro de 1 mil empregados diretos. Vamos crescer mais e sem perder a qualidade", afirmou Nigri. A Tecnisa chegou ao final de 2007 com banco de terrenos (landbank) no valor de R$ 4,4 bilhões - ante R$1,5 bilhão de 2006 -, sendo 52% na cidade de São Paulo, 29% no Estado de São Paulo e 19%, em outros Estados. A maior parte dos terrenos (80%) destina-se à média renda, 19% à alta renda e 1%, à baixa renda.

A expectativa do diretor-presidente da Tecnisa, Carlos Alberto Júlio, é lançar neste ano entre 40% e 50% dos empreendimentos na região metropolitana de São Paulo. Metade dos lançamentos deve ocorrer até junho, embora o segundo semestre concentre grandes empreendimentos, como o que será construído no terreno de 250 mil metros quadrados comprado da Telefônica.

 


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