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Grupo português Tiner avança no Brasil

Gazeta Mercantil, 12/mar

Apesar de sediada em Lisboa, onde atua desde incorporação residencial a obras públicas de infra-estrutura, a holding portuguesa Tiner encontrou no Brasil seu porto seguro. Em dois anos, o País saltou de uma participação de 25% para 50% na receita do grupo, que deve alcançar R$ 1 bilhão somente em solo tupiniquim.

Hoje , Portugal fica com apenas 20% dos negócios e o restante está distribuído entre Polônia e Angola, o segundo mercado de maior crescimento para o grupo. Apaixonado por caravelas e embarcações como todo bom lusitano, António Marques Varela, presidente do grupo Tiner, credita o desempenho aos bons ventos do mercado - brasileiro e imobiliário.

"Competir no Brasil era muito difícil quando chegamos, há quase 10 anos, pelo custo do capital, juros elevados e burocracia na aprovação de projetos. A incorporação residencial surgiu como alternativa para retorno do investimento", relembra Varela. A estratégia do grupo é lançar mega projetos em terrenos de grande extensão.

Este semestre, por exemplo, lança a última fase do projeto de R$ 4,8 bilhões em Florianópolis, complexo que inclui residenciais, universidade, área de treinamento de atletas e indústrias não poluentes, numa área de 2,5 milhões de m. Também vai entrar no segmento habitacional de baixa renda, área que não atua no País. O condomínio Vila Atlântica, no km 18 da rodovia Anhanguera, tem área formada pela junção de 52 lotes com previsão de 5.200 apartamentos para baixa renda, com imóveis entre R$ 99 mil e R$ 120 mil.

Paralelamente, continua com lançamentos em alta renda. No bairro paulistano Campo Belo, o foco são famílias com renda mensal entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, para arcar com apartamentos que vão de R$ 320 mil a R$ 600 mil ou as casas do condomínio no complexo, ao preço médio de R$ 1,5 milhão.
Mas o principal projeto que sai da gaveta da empresa este ano e gera a maior expectativa de negócios está em Alphaville, em Tamboré. Em parceria com a Videolar, proprietária do terreno de 54 mil m, a Tiner vai incorporar um complexo que inclui três torres comerciais (duas de salas de escritórios e uma de lajes corporativas), seis torres residenciais que totalizam 800 apartamentos, hospital e hotel (já em negociação com operadores) e um shopping, que marca a entrada do grupo português no segmento. O valor de vendas do empreendimento é de R$ 1,2 bilhão, que será lançado em fases a partir do segundo semestre.

A idéia é que parte do complexo componha os ativos do Europar Flex, o segundo fundo imobiliário formatado pela Tiner no País. "A captação total do fundo, que já obteve aprovação da CVM, será de R$ 600 milhões, sendo R$ 30 milhões já no início da operação", afirma Varela.

O Flex será administrado pelo Banif, tendo o Itaú como depositário e a própria Tiner como gestora. A intenção é que seja mais abrangente que o primeiro fundo, o Europar, que focava imóveis industriais (centros de distribuição e galpões). "O Flex vai incluir shoppings e edifícios comerciais e, eventualmente, incorporação residencial", afirma Varela. "Já deve incluir pelo menos R$ 100 milhões em ativos no complexo de Alphaville."

Com os empreendimentos engatados, a empresa espera multiplicar por 10 seu volume de lançamentos no País, de R$ 180 milhões em 2007 para R$ 1,8 bilhão este ano. A Tiner pretende colher os resultados de sua persistência. Por quase sete anos não teve geração de receita no mercado brasileiro. "Foram só investimentos e promessas nesse período", conta o presidente do grupo.

Capitalização

Desde 2006, a Tiner se prepara para abrir capital no País, mas o projeto foi adiado para um momento mais adequado ao lançamento de ações. A primeira idéia era que o IPO acontecesse no ano passado. "Mas achamos que 2007 não era um bom momento pela concentração de ofertas de ações do setor e este ano o cenário se complicou com a crise americana. É provável que o IPO aconteça em 2009", revela Varela.

O objetivo é lançar no mercado o correspondente a 35% do capital da empresa. Em Portugal, o grupo tem operação fechada. "Portugal não tem cultura de Bolsa de Valores, mas a experiência no Brasil pode nos incentivar também na Europa", acredita.
 


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