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Garagens mal planejadas e espaço reduzido podem ser a causa da dor de cabeça de muitos motoristas

O Globo Online, Mariane Thamsten, 11/mar

O drama dos motoristas para estacionar na garagem de casa nem sempre pode ser atribuído à falta de habilidade do condutor ou a uma questão pisicológica. O medo de manobrar num espaço estreito sem tocar no carro do vizinho pode ter outra explicação. Para o arquiteto e assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) Canagé Vilhena, o problema também pode estar no mal planejamento ou na má distribuição da área. Para exemplificar, ele divulgou um gabarito em que mostra os principais problemas da garagem.

- Hoje em dia, está tudo errado. Muitas empresas se preocupam mais em colocar o maior número de carros na garagem, aproveitando todos os espaços possíveis, do que com a sua eficiência - declara Canagé, lembrando que a conseqüência do trabalho mal planejado é uma das maiores dor de cabeça dos motoristas em suas próprias casas.

Ainda de acordo com Canagé, as vagas nas garagens devem ter 2,5m² de largura por 5m² de comprimento, conforme o Regulamento de Zoneamento, aprovado pelo Decreto 322, de 3 de março de 1976. No entanto, ele enfatiza que o ideal seria 3m² de largura por 6m² de comprimento para cada vaga, para que os veículos tenham espaço para as manobras.

- Com o crescimento urbano, muitas empresas do mercado imobiliário estão mais preocupadas em economizar e aproveitar todo o espaço possível das garagens do que com a eficiência deles - aponta Canagé.

O arquiteto também chama a atenção para o espaço de circulação dos veículos e aponta a rampa como um outro problema:

- Além de não acompanharem o raio de giro do veículo, as rampas são muito inclinadas, o que dificulta o acesso de deficientes físicos - destacou Canagé, lembrando que muitas garagens não possuem vaga destinadas a cadeirantes.

Já o arquiteto e conselheiro da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) Afonso Kuenerz defende o espaço de 2,5m² X 5m², determinado pela lei.

- Sem dúvida alguma, o espaço de 2,5m² para cada carro é adequado. Se somar as distâncias entre um veículo e outro, terá mais de um metro, o que dá para abrir a porta confortavelmente. Pela largura, não há problema algum - disse Kuenerz.

Sobre as pilastras, o arquiteto admite que a quantidade de pilares no estacionamento pode ser reduzida, mas isso depende do bom senso do projetista.

- É possível, sim, diminuir a quantidade de pilastras na garagem, sem que o prédio desabe. Mas, normalmente, quanto menos pilares, mais cara a obra. Podemos dizer, portanto, que um bom projeto procura evitar pilares que prejudiquem a vida dos motoristas - salienta o arquiteto.

Kuenerz diz ainda que quando o espaço é apertado, a legislação permite que um carro prenda o outro, caso o pavimento tenha menos de 32 vagas.

- Acima de 32 vagas, um carro não pode prender o outro, a não ser que seja do mesmo apartamento - lembra conselheiro da Ademi.

Problemas na garagem podem parar na Justiça

No entanto, a prática se mostra bem diferente. O bloqueio de ir e vir de pode levar o condomínio à Justiça. O advogado Bruno Reis, do escritório Reis&Schuch, aconselha, primeiramente, que o motorista leve o problema para ser discutido na reunião de condomínio.

- O condômino que está sofrendo o incômodo de ter a passagem de seu carro bloqueada pelo carro do vizinho, por exemplo, pode notificar o condomínio para que isso não aconteça mais. Em caso do descumprimento, pode ser movida ação competente para obrigar ao condomínio que dê uma solução ao caso o quanto antes.

Caso o problema não seja resolvido na reunião de condomínio, a única coisa a fazer, segundo ele, é entrar com uma ação no Juizado Especial Cível. Ele ressalta, no entanto, que um caso na Justiça pode levar de seis meses a um ano para chegar a um resultado.


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