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Cai a participação de imóveis financiados

Folha de São Paulo, Guilherme Barros, 24/jul

Apesar do atual vigor do mercado imobiliário e da disponibilidade de crédito para o setor, o Brasil vem sofrendo uma queda constante na participação dos imóveis próprios ainda sendo pagos (financiados) em relação ao total de domicílios no país.

Em 1995, os imóveis financiados representavam 8% do total de domicílios das principais regiões metropolitanas do país. Já em 2004, essa participação caiu para 4,7%.

Segundo estudo elaborado pela GV Consult para o setor da construção civil com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de imóveis próprios no Brasil cresceu 3,9% ao ano, em média, entre 1995 e 2004.

No período, os imóveis financiados decresceram a uma taxa média de 2,3% ao ano. Ao mesmo tempo, os imóveis alugados aumentaram 2,2% ao ano.

Segundo o economista Euclides Pedrozo, da FGV-SP, dois fatores podem estar por trás da diminuição dos financiamentos: a elevação do custo da prestação advinda tanto do aumento dos juros quanto do racionamento do crédito, principalmente entre 1998 e 2001, e a queda na renda familiar.

A diminuição no financiamento acabou sendo compensada, em grande parte, por uma maior oferta, a preços menores, de imóveis alugados.

Entre 1995 e 2004, houve um crescimento real (acima da inflação) de 29,8% no valor médio das prestações mensais dos financiamentos. No mesmo período, o valor médio do aluguel teve queda real de 36,8%.

O estudo mostra ainda que, enquanto a despesa média com aluguéis permaneceu constante no período (em torno de 30% dos gastos médios familiares, apesar da queda na renda), os desembolsos com prestações subiram significativamente.

Em 1995, as despesas com as prestações de financiamentos representavam cerca de 12% da renda domiciliar total. Em 2004, o percentual ficou em 23%. Um ano antes, chegou a atingir um pico de 26%.


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